tudo foi interdito.
as portas e as janelas de água
foram encerradas sequencialmente
já não tenho saída para o Mar.
nos barcos, as redes húmidas permanecerão
estendidas à superfície até que se escoe
toda a ilusão
todos os medos escamados da cortina de prata
serão cerimoniosamente afundados
num ritual fúnebre
as memórias que boiavam na maré em atraso
ficarão fielmente amarradas ao cais
e só o faroleiro me poderá restitui-las
as velas do esquecimento serão uma última vez içadas
um vento soprará num apelo desesperado
violentar-me-á... arrastando-me para dentro do barco
prosseguirei nesta viagem obrigatória
sem hora marcada
sem retorno
e é em terra que o faroleiro me espera...
mas não é para terra que seguirei!
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