É pelo silêncio que vou.
Caminho a direito
em desequilíbrio.
Vocalizo a música áspera das abelhas
em agonia
- cânticos profanos de resistência.
É no silêncio que reencontro a mesma luta:
- a última
domingo, 28 de junho de 2015
sábado, 21 de maio de 2011
regresso
de regresso ao âmago
das sílabas incompletas
que me ancoram
que me edificam
que me salvam das palavras
que completam o sentido
e desfiguram o sentir
das sílabas incompletas
que me ancoram
que me edificam
que me salvam das palavras
que completam o sentido
e desfiguram o sentir
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
o teu crivo
coadas,
as sílabas mais agudas
verticalizam as palavras
mais suspensas,
amarrotadas na acidez grave
do silêncio
ainda assim hesito.
hesito em gritar por ti
as sílabas mais agudas
verticalizam as palavras
mais suspensas,
amarrotadas na acidez grave
do silêncio
ainda assim hesito.
hesito em gritar por ti
quarta-feira, 25 de junho de 2008
limite
até que enfim
chegaste
trouxeste a tua carne
colada à minha sombra
esvaída do meio-dia
ontém vivi-te
demorei-me no canto
das lágrimas
no leito das penas
de malentendidos
querias a verdade
querias certezas
a eternidade imediata
das palavras
- esse futuro tão exacto
na sombra do meio-dia
chegaste
trouxeste a tua carne
colada à minha sombra
esvaída do meio-dia
ontém vivi-te
demorei-me no canto
das lágrimas
no leito das penas
de malentendidos
querias a verdade
querias certezas
a eternidade imediata
das palavras
- esse futuro tão exacto
na sombra do meio-dia
sexta-feira, 21 de março de 2008
seguro na queda
medo
é a cadência sanguinária
do gotejo arterial
na bainha metálica do tendão
rasgado
a malha óssea
que germina
na dor do teu corpo
na latência do pedal
que crava a tua carne
ainda fria
medo
é o silêncio cicatrizado
a nu
um encaixe
imperfeito
e todavia
subsiste
mudo
- seguro na queda
é a cadência sanguinária
do gotejo arterial
na bainha metálica do tendão
rasgado
a malha óssea
que germina
na dor do teu corpo
na latência do pedal
que crava a tua carne
ainda fria
medo
é o silêncio cicatrizado
a nu
um encaixe
imperfeito
e todavia
subsiste
mudo
- seguro na queda
quinta-feira, 20 de março de 2008
talvez
apenas sei que é
pelo repouso que espero
pelo envelhecer da tua sombra
na minha
ainda incompleta
pelos dedos prolongados
no sonho
espreguiçados nos meus
talvez entrelaçados
numa manhã sem hora
pelo repouso que espero
pelo envelhecer da tua sombra
na minha
ainda incompleta
pelos dedos prolongados
no sonho
espreguiçados nos meus
talvez entrelaçados
numa manhã sem hora
quarta-feira, 19 de março de 2008
sigo-te
reconheces as minhas mãos
no reflexo, no tacto,
e no entanto é pela margem
que trilhas o caminho
quando é na água que te sigo
no mergulho atormentado dos pássaros
no grito vulcânico das pedras
nas línguas espalmadas dos sapos
no assobio desvairado das canas
no verde esquivo dos pés subaquáticos
pela água sigo a margem
sigo-te à margem
até ao mar
no reflexo, no tacto,
e no entanto é pela margem
que trilhas o caminho
quando é na água que te sigo
no mergulho atormentado dos pássaros
no grito vulcânico das pedras
nas línguas espalmadas dos sapos
no assobio desvairado das canas
no verde esquivo dos pés subaquáticos
pela água sigo a margem
sigo-te à margem
até ao mar
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