quinta-feira, 31 de março de 2016

esventrado o corpo da vírgula
expõe a insanidade da espera:
- estilhaços de pensamentos
infinitamente ressurgem
atormentando a mente,
enlouquecendo-a

reencontro- me com os ossos
das palavras essenciais
- restos de mim

memórias deglutidas
com disfagia

quarta-feira, 23 de março de 2016

21 de março

as pedras balbuciam palavras de ausência
em ebulição e revolta
no fundo de uma taça revejo o Universo
- fissuras convergem irremediavelmente num grito
que se dissipa no absurdo
da morte

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

apaixonas-te em vão
aflorando apenas o vértice
incompleto do amor

poderíamos ter sido
o celofane, o mel e o cetim
inigualáveis na
lucidez icónica
da paixão

vejo-te entre mim e o mar
a ensaiar a espuma nocturna
da despedida

entre areias e conchas submersas
naufragam ósculos a motor
- à deriva

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

seres fúnebres desafiam
a luminosidade fluida
do entardecer no final
de um setembro qualquer

rumores de asas debruçam-se
coreograficamente para o sul
enquanto deglutes o veneno arbóreo
num bule tóxico de porcelana
- um chá inquinado
pontualmente servido às cinco

-materialização da morte
com requinte homeopático

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

pálpebras de peixes disléxicos coagulam
em ventres feridos
de seres subaquáticos

o plasma, o soro, o sangue
envenenam o leito fossilizado
de artérias vagamente pulsáteis 

algas escorrem lentamente
das gargantas de um passado distante
- um vómito que desafia o paladar doce
da tua boca húmida de sangue

é assim que pressinto os gritos dos corais:
sublimando os graves ao meu ouvido,
num timbre de ausência recidivante 

mais te informo:
aquela adaga pertence-me.
o bisturi, reservei-o para ti
- bem afiado

terça-feira, 14 de julho de 2015

rsklnkv1

nos sulcos das mãos edifiquei
memórias de outrora
reservei-te o coaxar das rãs,
o estridor do vento na garganta dos poços,
a lentidão das águas lamacentas
no fim do verão

incendiaste o meu amor
na pele da madrugada
e havia tantos dias para viver

Hoje
com o teu desdém
atiraste-me para as garras da noite

Haverá dias mais cruéis?

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Ontem esperei por ti
em desalinho
nos beijos trazia a ânsia da
ausência

improvisada
de véspera