resta-me apenas
um prato incógnito e raso
no futuro
servirei as lágrimas
demolhadas de véspera
-sem sal, sem agonia
mal passado,
o mistério
- em sangue
do dia
sábado, 19 de janeiro de 2008
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
a maçã
lábios descaroçados
colheram suspiros
um a um
na horta do paraíso
enraizaram silêncios
na pele respigada,
estéril
- enxertia de serpente
fosse eu maçã
desfolharia ósculos
num pecado líquido de cerejas
... sem casca
colheram suspiros
um a um
na horta do paraíso
enraizaram silêncios
na pele respigada,
estéril
- enxertia de serpente
fosse eu maçã
desfolharia ósculos
num pecado líquido de cerejas
... sem casca
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
sereia
corpo subtraído
ao sangue
na areia ensalivada
mar esbugalhado
contra a sensualidade
das escamas
promoção de espinhas ancestrais
lirismo de peixe...
- quase sóbrio
ao sangue
na areia ensalivada
mar esbugalhado
contra a sensualidade
das escamas
promoção de espinhas ancestrais
lirismo de peixe...
- quase sóbrio
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
outro caminho
poderia o vermelho
ainda ser lama
se a água não despisse
o leito insalubre do desejo?
poderia a lama
ainda ser corpo
se o sangue não escorresse
das lâminas que esventraram as súplicas
dos teus náufragos?
poderia este corpo ser caminho,
o branco alma
se não fosse esta a pele onde me encerro,
onde pernoito sem hora,
onde expurgo a seiva dos dias desconhecidos?
poderei ainda ser vida
breve,
quando escolher partir
noutro caminho?
ainda ser lama
se a água não despisse
o leito insalubre do desejo?
poderia a lama
ainda ser corpo
se o sangue não escorresse
das lâminas que esventraram as súplicas
dos teus náufragos?
poderia este corpo ser caminho,
o branco alma
se não fosse esta a pele onde me encerro,
onde pernoito sem hora,
onde expurgo a seiva dos dias desconhecidos?
poderei ainda ser vida
breve,
quando escolher partir
noutro caminho?
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
mais alto!
gritaria eu mais alto
não fossem tão estreitas
as vozes desta rua
não fossem as tuas mãos
de adeus
ecoarem de cada esquina
em silêncio
não fosse esta a música
a ressoar nas cordas
que desafi(n)o
em violência
não fosse este o beco
onde me sento e calo
onde respiro e choro
onde me acalmo
... e vou morrendo
não fossem tão estreitas
as vozes desta rua
não fossem as tuas mãos
de adeus
ecoarem de cada esquina
em silêncio
não fosse esta a música
a ressoar nas cordas
que desafi(n)o
em violência
não fosse este o beco
onde me sento e calo
onde respiro e choro
onde me acalmo
... e vou morrendo
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
o lado frio da noite
iria sempre
pelo lado frio da noite
que tu iluminaste
despiria as pétalas
no refúgio mortificado da tua voz
sem nome
chamar-te-ia ainda
se reconhecesse nas mãos
as palavras simples da música
que não foi nossa
é nesse esgar que fragilizo os meus ossos
condenados aos passos circulares do adeus
que finalmente disse
pelo lado frio da noite
que tu iluminaste
despiria as pétalas
no refúgio mortificado da tua voz
sem nome
chamar-te-ia ainda
se reconhecesse nas mãos
as palavras simples da música
que não foi nossa
é nesse esgar que fragilizo os meus ossos
condenados aos passos circulares do adeus
que finalmente disse
terça-feira, 13 de novembro de 2007
com chuva...
ansiaste pela lava incandescente
a aquecer-te o peito?
a porta para a lucidez das águas?
as possibilidades sem renuncia?
o desejo que não cessa?
a inocência por estrear?
trouxeram-te a culpa
na cinza húmida
de um ritual extinto
imobilizaram-te na certeza
de seres apenas mais um
a poluir este magma espesso
sulcado de memórias
não recicláveis
que carregas
ao ombro erosionado do remorso
de olhos continuamente abertos
pelo esgotamento
do desencontro cíclico
das pálpebras
o que pretendes alcançar
na exploração irracional
da ausência?
talvez um dia possas
permanecer longe das tuas
eternas dúvidas…
talvez um dia possas
chegar
e partir
com chuva, música e tudo…
a aquecer-te o peito?
a porta para a lucidez das águas?
as possibilidades sem renuncia?
o desejo que não cessa?
a inocência por estrear?
trouxeram-te a culpa
na cinza húmida
de um ritual extinto
imobilizaram-te na certeza
de seres apenas mais um
a poluir este magma espesso
sulcado de memórias
não recicláveis
que carregas
ao ombro erosionado do remorso
de olhos continuamente abertos
pelo esgotamento
do desencontro cíclico
das pálpebras
o que pretendes alcançar
na exploração irracional
da ausência?
talvez um dia possas
permanecer longe das tuas
eternas dúvidas…
talvez um dia possas
chegar
e partir
com chuva, música e tudo…
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